Mãe de Deus, Theotokos
Maria Santíssima, Mãe de Deus
séc. I a.C., Nazaré (tradição) — Assunta ao Céu (dogma de 1950)
- Festa litúrgica
- 01/01
- Padroeiro de
- toda a humanidade; a Igreja
A jovem de Nazaré
Maria nasceu, segundo a tradição, em meados do século I antes de Cristo, fruto da piedade do povo de Israel que aguardava o Messias prometido. A tradição cristã reconhece em seus pais, joaquim e ana, almas justas e devotas, e em maria a “cheia de graça”, preservada do pecado desde o primeiro instante de sua existência. Era uma jovem humilde da pequena cidade de Nazaré, na Galileia, desposada com josé, da casa de davi. Nada nela aparentava grandeza aos olhos do mundo, mas Deus, que olha o coração, escolheu-a para a maior das missões confiadas a uma criatura humana.
A Anunciação
O evangelho de São Lucas narra o momento decisivo de sua vida e da história da salvação. O anjo gabriel foi enviado por Deus e saudou-a: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1, 28). Diante do anúncio de que conceberia, pela ação do Espírito Santo, o Filho do Altíssimo, maria, ainda que perturbada e cheia de perguntas, respondeu com plena confiança:
Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra.
Com esse sim livre e total, ela se tornou a Mãe do Verbo encarnado, abrindo as portas para que Deus se fizesse homem. Sua fé desfez o nó da desobediência de eva, e por meio dela o Salvador veio ao mundo. Ao visitar sua prima isabel, maria entoou o cântico do Magnificat, no qual sua alma engrandece o Senhor e exalta a misericórdia divina que derruba os poderosos e eleva os humildes.
A serva fiel junto ao Filho
A vida de maria foi um peregrinar contínuo na fé. Em Belém, deu à luz Jesus e o envolveu em panos, guardando todas as coisas e meditando-as em seu coração. Acompanhou o Filho nos anos ocultos de Nazaré e em sua vida pública. Nas bodas de Caná, percebeu a necessidade dos esposos e disse aos servos a palavra que ressoa por todos os séculos: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2, 5), provocando o primeiro dos sinais de Jesus.
Sua hora mais dolorosa veio ao pé da Cruz. Ali permaneceu de pé, unida ao sacrifício do Filho, e dele recebeu o discípulo amado como filho, tornando-se, naquele instante, Mãe de toda a Igreja. Depois da Ressurreição e da Ascensão, esteve no Cenáculo, em oração com os apóstolos, quando o Espírito Santo desceu em Pentecostes, dando início à missão da Igreja no mundo.
Mãe de Deus, exaltada pela Igreja
A fé cristã, ao contemplar o mistério de maria, reconheceu nela a Theotokos, a “Mãe de Deus”, título solenemente definido pelo Concílio de Éfeso, no ano de 431, para defender a unidade da pessoa de Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Ao chamar maria de Mãe de Deus, a Igreja confessa que aquele que ela gerou é o próprio Filho eterno do Pai.
A tradição da Igreja, alimentada pela piedade dos fiéis ao longo dos séculos, professou também que maria, terminado o curso de sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória do céu, dogma proclamado solenemente em 1950. Coroada como Rainha do céu e da terra, ela não cessa de interceder por todos os seus filhos, conduzindo-os sempre a Jesus. Por isso a Igreja a invoca incessantemente como advogada, auxiliadora e medianeira, e a saúda com confiança filial: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte”.