Virgem, Vidente da Medalha Milagrosa
Santa Catarina Labouré
1806, Fain-lès-Moutiers (França) — 1876, Paris
- Festa litúrgica
- 28/11
- Padroeiro de
- idosos; videntes; Filhas da Caridade
Infância no campo
Catarina Labouré nasceu em 1806 na pequena aldeia de Fain-lès-Moutiers, na Borgonha francesa, no seio de uma numerosa família de camponeses. Batizada com o nome de Zoé, perdeu a mãe ainda menina, e desde cedo assumiu, com apenas doze anos, os cuidados da casa e dos irmãos mais novos. Conta-se que, na ausência da mãe, voltou-se para Nossa Senhora, tomando-a como mãe do céu. Era uma jovem simples, trabalhadora e silenciosa, dada à oração e às tarefas da lavoura, sem qualquer instrução refinada, mas com um coração profundamente entregue a Deus.
A vocação
Desde a juventude, catarina sentia o chamado a consagrar-se ao Senhor no serviço dos pobres. Apesar das resistências do pai, que precisava de seus braços, ela perseverou no desejo de seguir Cristo. Em 1830 ingressou nas Filhas da Caridade, congregação fundada por são Vicente de Paulo e santa Luísa de Marillac, dedicada aos doentes, aos abandonados e aos necessitados. Foi enviada para o noviciado na Rue du Bac, em Paris, onde Deus a preparava em segredo para uma missão que mudaria a devoção mariana de incontáveis fiéis.
As aparições da Rue du Bac
Naquele mesmo ano de 1830, ainda noviça, catarina recebeu o extraordinário favor de contemplar a Santíssima Virgem. Numa noite, despertada por um menino luminoso, foi conduzida à capela, onde se ajoelhou junto à Mãe de Deus e, segundo seu testemunho, repousou as mãos sobre os joelhos d’Ela. Em aparição posterior, viu Nossa Senhora de pé sobre o globo, com raios de luz brotando de suas mãos, cercada pela inscrição:
Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.
A Virgem pediu então que se cunhasse uma medalha conforme aquela imagem, prometendo grandes graças a quantos a trouxessem com confiança. Assim nasceu a Medalha Milagrosa, que rapidamente se difundiu pelo mundo inteiro, suscitando conversões e curas atribuídas à intercessão da Mãe de Deus.
Uma vida oculta
O traço mais admirável de catarina foi o silêncio com que guardou esse segredo. Por quase quarenta e seis anos, ninguém soube que ela era a vidente das aparições; apenas seu diretor espiritual conhecia a verdade. Enquanto a medalha se espalhava e o mundo se perguntava quem fora a testemunha, ela permanecia escondida no Hospício de Enghien, em Paris, dedicando-se humildemente ao cuidado dos idosos, à porta, à cozinha e ao galinheiro. Cumpria as tarefas mais simples sem buscar honra ou reconhecimento, fiel ao pedido da Senhora e oculta aos olhos dos homens.
Os últimos dias
Somente no fim de sua vida, pressentindo a morte próxima, catarina revelou à sua superiora que fora ela a privilegiada das visões da Rue du Bac. Faleceu em Paris no dia 31 de dezembro de 1876, depois de uma existência marcada pela obediência, pela caridade e pela total entrega à vontade de Deus. Quando seu corpo foi exumado, décadas depois, encontrou-se incorrupto, sinal eloquente de uma alma que viveu na pureza e no abandono confiante à Providência. Foi canonizada pelo Papa Pio XII em 1947. Sua festa é celebrada a 28 de novembro, e seu corpo repousa na capela da Rue du Bac, onde até hoje peregrinos acorrem para invocar, por sua intercessão, a proteção daquela que se mostrou Imaculada e cheia de graça.