Bispo, Doutor da Igreja
Santo Alberto Magno
c. 1200, Lauingen (Alemanha) — 1280, Colônia
- Festa litúrgica
- 15/11
- Padroeiro de
- cientistas; estudantes de ciências naturais
Juventude e formação
Alberto nasceu por volta do ano 1200 na cidade de Lauingen, na Suábia, região do sul da atual Alemanha, em uma família ligada à nobreza local. Desde cedo demonstrou uma curiosidade insaciável diante do mundo natural, observando plantas, animais e os fenômenos da criação com a admiração de quem reconhecia neles a obra do Criador. Foi enviado a estudar em Pádua, na Itália, onde se aprofundou nas artes liberais e travou contato com os primeiros ecos do espírito que o levaria à vida religiosa.
Em Pádua, sob a influência da pregação dos frades dominicanos, ele decidiu abraçar a Ordem dos Pregadores, fundada por são Domingos de Gusmão. A escolha contrariou os desejos de sua família, mas ele permaneceu firme, convencido de que era ali, no estudo unido à oração e à pregação, que serviria melhor ao Senhor.
Mestre e investigador da criação
Alberto tornou-se um dos maiores sábios de seu tempo. Ensinou em vários estudos da ordem e, sobretudo, na Universidade de Paris, então o coração intelectual da cristandade. Sua erudição abraçava a teologia, a filosofia, a lógica, mas também a botânica, a zoologia, a astronomia, a química e a mineralogia. Foi um dos primeiros pensadores cristãos a recuperar e comentar a obra de Aristóteles, mostrando que a razão e a fé não se opõem, mas se iluminam mutuamente.
Para ele, o estudo atento da natureza era uma forma de louvor, pois cada criatura revelava algo da sabedoria de Deus. Observava com paciência, registrava com método e não temia investigar, convicto de que toda verdade vem do Senhor. Por essa vastidão de saber, recebeu já em vida o título de Doutor Universal.
Procura-se a verdade não para descansar nela, mas para servir-se dela em favor do amor de Deus.
O mestre de Tomás de Aquino
Entre os muitos discípulos que passaram por suas mãos, um sobressaiu de modo singular: o jovem Tomás de Aquino. Os colegas o apelidavam de “boi mudo”, por seu silêncio e sua corpulência, mas Alberto percebeu o gênio escondido naquele aluno e profetizou: “Chamam-no de boi mudo, mas um dia o mugido de sua doutrina ressoará pelo mundo inteiro.” A profecia se cumpriu plenamente. Mestre e discípulo permaneceram unidos por profunda amizade e estima, e quando Tomás foi atacado depois de sua morte, Alberto, já idoso, viajou para defender com vigor a memória e o ensinamento daquele que fora seu aluno.
Bispo e pastor
A fama de sua santidade e sabedoria levou a Igreja a confiar-lhe a sede episcopal de Ratisbona, em 1260. Alberto aceitou por obediência, embora ansiasse pela vida humilde do frade. Como bispo, percorreu sua diocese a pé, com simplicidade, buscando reformar costumes e cuidar dos pobres. Renunciou ao cargo após poucos anos para retornar ao ensino e ao silêncio do convento, pois sentia que ali estava seu verdadeiro lugar. Participou também do Concílio de Lyon e empenhou-se em favor da paz entre cidades e na pregação ao povo.
Os últimos dias
Nos últimos anos, recolhido em Colônia, sua prodigiosa memória começou a falhar, e o sábio que tudo investigara entregou-se mansamente a Deus na simplicidade da oração. Faleceu em 1280, cercado pela veneração de seus irmãos dominicanos. Foi canonizado e proclamado Doutor da Igreja em 1931 pelo papa Pio XI, que o declarou também padroeiro dos que se dedicam às ciências naturais.
Santo Alberto Magno permanece como testemunho luminoso de que a inteligência humana, quando posta a serviço da verdade, é caminho para Deus. Em tempos que por vezes opõem ciência e fé, sua vida recorda que aquele que estuda com humildade a obra da criação se aproxima, sem o saber, das mãos do próprio Criador.