Bispo, Doutor da Igreja
São Boaventura
c. 1217, Bagnoregio (Itália) — 1274, Lyon
- Festa litúrgica
- 15/07
- Padroeiro de
- teólogos; franciscanos
Infância e cura
João de Fidanza nasceu por volta de 1217 na pequena cidade de Bagnoregio, na Toscana, no centro da Itália. A tradição conta que, ainda criança, adoeceu gravemente e foi levado por sua mãe a São Francisco de Assis, que intercedeu por sua saúde. Curado de modo prodigioso, teria recebido daquele encontro o nome pelo qual seria conhecido — “boaventura”, isto é, “boa ventura” ou “bom porvir”. Verdadeiro ou não em todos os pormenores, esse relato exprime bem o laço profundo que uniria o menino à família franciscana.
Formação e vida religiosa
Jovem ainda, boaventura ingressou na Ordem dos Frades Menores e foi enviado a Paris, o grande centro intelectual da cristandade. Ali estudou sob a orientação de mestres ilustres e formou-se em teologia, tornando-se professor na célebre universidade ao lado de seu contemporâneo são Tomás de Aquino. Onde Tomás trilhava o caminho da razão rigorosa, boaventura caminhava pela via do amor e da contemplação, sempre persuadido de que o saber sem a santidade de pouco vale. Para ele, todo conhecimento devia conduzir o coração a Deus.
Ministro geral dos franciscanos
Em 1257 foi eleito ministro geral da Ordem, num momento delicado em que os frades discutiam como viver com fidelidade o ideal de São Francisco. Com prudência e firmeza, boaventura soube reconciliar o rigor da pobreza com as exigências da vida comunitária e do estudo, sendo por isso chamado o “segundo fundador” da Ordem. Encarregado pelos frades de escrever a vida do fundador, compôs a Legenda Maior, biografia oficial de São Francisco, na qual recolheu com amor a memória do Poverello de Assis.
O Itinerário da Mente para Deus
Sua obra mais célebre, o Itinerário da Mente para Deus, nasceu de um retiro no monte Alverne, o mesmo onde São Francisco recebera as chagas do Senhor. Nela, boaventura descreve a subida da alma a Deus em graus sucessivos, partindo das criaturas, passando pelo interior do homem e culminando na contemplação amorosa do mistério divino. Toda a criação, para ele, é como um livro que fala de seu Criador.
“Quem não é iluminado por tanto esplendor das coisas criadas é cego; quem não desperta com tantos clamores é surdo; quem por todas estas obras não louva a Deus é mudo.”
Cardeal e os últimos dias
Por sua virtude e sabedoria, foi nomeado cardeal-bispo de Albano, aceitando o encargo com a humildade que sempre o marcou. Diz a tradição que os enviados do Papa o encontraram lavando a louça, e ele pediu que pendurassem o chapéu cardinalício numa árvore enquanto terminava a tarefa. Teve papel decisivo no segundo Concílio de Lyon, empenhado em reunir as Igrejas do Oriente e do Ocidente. Foi ali, em 1274, no meio dos trabalhos conciliares, que faleceu, pranteado por todos. Canonizado em 1482 e proclamado Doutor da Igreja em 1588, recebeu o título de “Doutor Seráfico”, pela ardente caridade que inflamava toda a sua doutrina, e permanece padroeiro dos teólogos e mestre seguro de quantos buscam a Deus pelo caminho do amor.