Papa, Doutor da Igreja
São Gregório Magno
c. 540, Roma — 604, Roma
- Festa litúrgica
- 03/09
- Padroeiro de
- músicos; cantores; professores
Origem e juventude
Gregório nasceu por volta do ano 540, em Roma, no seio de uma família patrícia, rica e profundamente cristã. Entre seus antepassados contavam-se um Papa e, em sua própria casa, mulheres santas: sua mãe, Sílvia, e duas tias paternas veneradas pela Igreja. Educado nas melhores letras de seu tempo, o jovem gregório destacou-se cedo pela inteligência e pela seriedade, chegando ainda moço ao cargo de prefeito de Roma, a mais alta dignidade civil da cidade. Mas, em meio às honras do mundo, sentia crescer no coração o chamado a uma vida inteiramente entregue ao Senhor.
A vocação monástica
Ao morrer seu pai, gregório renunciou às glórias da carreira pública. Transformou a casa paterna no monte Célio em mosteiro, dedicado a Santo André, e ali abraçou a vida monástica sob a Regra de São Bento. Aqueles anos de silêncio, oração e estudo da Escritura foram, segundo ele mesmo confessou, os mais felizes de sua existência. Recordava-os sempre com saudade, pois encontrara na contemplação a paz que os afazeres do mundo jamais lhe haviam dado. Conta-se que, vendo certo dia jovens cativos ingleses de bela aparência no mercado de Roma e sabendo que eram pagãos, comoveu-se e concebeu o desejo de levar o Evangelho àquela terra distante.
Pastor da Igreja
Contra a própria vontade, gregório foi arrancado da quietude do claustro: primeiro como diácono e legado em Constantinopla, depois, no ano 590, elevado ao trono de Pedro como Papa. Chamava-se, com humildade, “servo dos servos de Deus”, expressão que adotou e que os Sumos Pontífices conservam até hoje. Governou a Igreja em tempos difíceis, marcados por pestes, fomes e a ameaça dos lombardos. Distribuiu com larguesa os bens da Igreja aos pobres, defendeu Roma com firmeza e sabedoria, e cuidou dos famintos como verdadeiro pai. Não esqueceu o antigo desejo: enviou o monge Agostinho com seus companheiros para evangelizar a Inglaterra, semeando ali a fé que daria frutos abundantes.
Mestre e doutor
Homem de profunda doutrina, gregório deixou escritos que iluminaram gerações. Sua Regra Pastoral tornou-se manual indispensável para bispos e sacerdotes, ensinando que o pastor deve unir a vida contemplativa ao zelo pelas almas. Comentou com sabedoria o livro de Jó nos Morais, pregou homilias luminosas e compôs cartas que revelam um coração ao mesmo tempo firme e terno. Promoveu também o cuidado com a liturgia e o canto sacro, de tal modo que o canto litúrgico da Igreja latina veio a tomar dele o nome de canto gregoriano. Por toda essa herança, a Igreja o venera entre seus grandes Doutores.
Quem se prepara para governar as almas, prepare-se primeiro para viver santamente.
Os últimos dias
Atormentado em seus últimos anos por enfermidades dolorosas, gregório não cessou de servir e de escrever, carregando a cruz com paciência até o fim. Morreu em Roma, no ano 604, deixando a Igreja mais firme na fé e mais zelosa em sua missão. Logo foi aclamado santo pelo povo, e a posteridade acrescentou ao seu nome o título de Magno — o Grande —, partilhado por poucos. Pastor segundo o coração de Deus, monge que se fez Papa sem deixar de ser monge, ele permanece como modelo de quem soube unir a contemplação do Senhor ao serviço generoso dos irmãos.