Religioso, Fundador
São João de Deus
1495, Montemor-o-Novo (Portugal) — 1550, Granada (Espanha)
- Festa litúrgica
- 08/03
- Padroeiro de
- doentes; enfermeiros; hospitais
Origens e juventude
João Cidade nasceu em 1495 na vila de Montemor-o-Novo, em Portugal, no seio de uma família humilde e piedosa. Ainda menino, deixou a casa paterna e seguiu para a Espanha, onde passou a juventude trabalhando como pastor de ovelhas nos campos de Oropesa. Mais tarde, alistou-se como soldado e serviu nas tropas do imperador Carlos V, levando uma vida agitada e sem rumo espiritual definido, longe dos ideais que mais tarde abraçaria com ardor.
Conversão
Já com cerca de quarenta anos, depois de muitas andanças e até de uma passagem pelo norte da África, João estabeleceu-se em Granada, onde abriu uma pequena loja de livros e imagens religiosas. Foi ali que, num dia de 1538, ouviu pregar o santo mestre João de Ávila. As palavras tocaram-lhe tão profundamente o coração que ele começou a chorar e a gritar pela cidade, pedindo misericórdia por seus pecados. Tomaram-no por louco e chegou a ser internado, onde experimentou na própria carne os maus-tratos e o desprezo com que então se tratavam os doentes. Foi João de Ávila quem o orientou, dizendo-lhe que transformasse aquele fervor em obras de caridade concretas.
A obra hospitaleira
Saindo daquele lugar com a alma renovada, João dedicou-se inteiramente ao serviço dos enfermos e necessitados. Alugou uma casa em Granada e ali começou a recolher os doentes pobres, os abandonados e os marginalizados que ninguém queria amparar. Lavava-lhes as feridas, mendigava pão e remédios pelas ruas e velava noites inteiras junto a seus leitos. Aos poucos, outros homens, movidos pelo seu exemplo, juntaram-se a ele. Dessa caridade incansável nasceria, depois de sua morte, a Ordem Hospitaleira, hoje conhecida como Ordem de São João de Deus, espalhada pelo mundo no cuidado dos enfermos.
Fazei o bem, irmãos, fazei o bem para vós mesmos.
Os últimos dias
João gastou-se totalmente pelos outros. Conta-se que adoeceu gravemente ao tentar salvar um jovem que se afogava nas águas geladas de um rio. Consumido pelo trabalho e pela penitência, faleceu em Granada no dia 8 de março de 1550, com cinquenta e cinco anos, de joelhos diante de um crucifixo, como sempre desejara morrer. Foi canonizado em 1690 e a Igreja o proclamou padroeiro dos doentes, dos enfermeiros e dos hospitais. Sua vida permanece como testemunho de que o amor a Deus se traduz, antes de tudo, no serviço humilde e generoso ao próximo que sofre.