Papa
São João Paulo II
1920, Wadowice (Polônia) — 2005, Vaticano
- Festa litúrgica
- 22/10
- Padroeiro de
- famílias; jovens; Jornada Mundial da Juventude
Juventude na Polônia
Karol Józef Wojtyła nasceu em 18 de maio de 1920, na cidade de Wadowice, na Polônia. Desde cedo conheceu o peso do sofrimento: perdeu a mãe ainda menino, e depois o irmão e o pai, ficando órfão antes dos vinte e um anos. Esses lutos, longe de afastá-lo de Deus, aprofundaram nele uma fé serena e confiante. Jovem de muitos talentos, dedicou-se ao teatro, à poesia e aos estudos, mas foi durante a ocupação nazista, trabalhando como operário numa pedreira e numa fábrica química, que amadureceu o chamado ao sacerdócio. Formou-se então num seminário clandestino, arriscando a própria vida para responder ao Senhor.
Sacerdote e bispo sob a opressão
Ordenado padre em 1946, Karol uniu uma sólida vida intelectual a uma profunda proximidade com os fiéis, especialmente os jovens, a quem acompanhava em caminhadas, retiros e longas conversas sobre o sentido da vida. Tornou-se bispo e depois arcebispo de Cracóvia, exercendo seu ministério sob o regime comunista. Com firmeza pacífica e inteligência, defendeu a liberdade da Igreja e a dignidade da pessoa humana, sem nunca recorrer ao ódio. Participou ativamente do Concílio Vaticano II, contribuindo para a reflexão sobre a Igreja no mundo contemporâneo.
Sucessor de Pedro
Em 16 de outubro de 1978, foi eleito o 282º Papa, tomando o nome de João Paulo II. Era o primeiro pontífice não italiano em mais de quatro séculos e o primeiro vindo de um país sob o comunismo. Suas primeiras palavras ecoaram como um programa de todo o seu pontificado:
Não tenhais medo! Abri, mais ainda, escancarai as portas a Cristo!
Seu lema, Totus Tuus — “todo teu”, dirigido à Virgem Maria —, exprimia a consagração total de sua vida ao Senhor por meio das mãos de sua Mãe. Movido por esse amor mariano, percorreu o mundo inteiro em mais de cem viagens apostólicas, levando o Evangelho a todos os povos e culturas.
O testemunho do sofrimento
Em 13 de maio de 1981, na Praça de São Pedro, foi atingido por tiros num atentado que quase lhe custou a vida. Atribuiu sua sobrevivência à proteção de Nossa Senhora de Fátima, em cuja festa o atentado ocorrera. Mais tarde, num gesto que comoveu o mundo, visitou na prisão o homem que tentara matá-lo e o perdoou pessoalmente, oferecendo ao mundo uma lição viva de misericórdia cristã. Nos últimos anos, debilitado pela doença, não escondeu sua fragilidade, mas fez dela um último e eloquente testemunho: ensinou a Igreja a contemplar o valor redentor do sofrimento unido à cruz de Cristo.
Pastor dos jovens e da liberdade
João Paulo II teve um amor especial pelos jovens, para os quais criou as Jornadas Mundiais da Juventude, reunindo multidões de todos os continentes em encontros de fé, alegria e esperança. Defensor incansável da vida, da família e da dignidade humana, sua palavra e sua presença contribuíram decisivamente para o despertar das consciências na Europa Oriental, abrindo caminho para a queda pacífica do comunismo e para a libertação de tantos povos. Escreveu numerosas encíclicas e promoveu o encontro entre as religiões, sempre apontando para Cristo, único Redentor do homem.
Os últimos dias e a glória dos altares
Faleceu em 2 de abril de 2005, no Vaticano, na véspera da festa da Divina Misericórdia, devoção que tanto promovera. Multidões aclamaram, em seus funerais, o desejo de vê-lo proclamado santo. Beatificado em 2011 e canonizado em 27 de abril de 2014, é hoje venerado como modelo de fé corajosa e de entrega total ao Senhor e à Virgem Maria. Sua memória litúrgica é celebrada em 22 de outubro, dia em que iniciou seu ministério como Sucessor de Pedro. Padroeiro das famílias, dos jovens e das Jornadas Mundiais da Juventude, são João Paulo II continua a repetir a cada geração o convite que marcou sua vida: abrir o coração inteiro a Cristo.