Sacerdote e Mártir
São Maximiliano Maria Kolbe
1894, Zduńska Wola (Polônia) — 1941, Auschwitz
- Festa litúrgica
- 14/08
- Padroeiro de
- presos; famílias; jornalistas; dependentes químicos
Infância e vocação
Raimundo Kolbe nasceu em 1894, na pequena cidade de Zduńska Wola, então sob domínio russo, no seio de uma família operária e profundamente católica. Desde menino mostrou uma piedade pouco comum, e a devoção à Mãe de Deus marcou cedo a sua alma. A tradição conta que, ainda criança, teve uma visão da Virgem Maria, que lhe ofereceu duas coroas — uma branca, da pureza, e outra vermelha, do martírio — e ele, sem hesitar, pediu para receber ambas. Esse episódio, guardado no coração do menino, parecia antecipar todo o caminho que o Senhor lhe reservava.
A entrega à Imaculada
Ingressou nos franciscanos conventuais, recebendo o nome de Maximiliano, e mais tarde acrescentou a si o nome de Maria, tão grande era o seu amor pela Imaculada. Estudou em Roma, onde se ordenou sacerdote, e ali, em 1917, fundou a Milícia da Imaculada, um movimento que buscava conquistar o mundo para Cristo por meio da entrega total à Virgem Maria. Convencido do poder da palavra impressa, dedicou-se à imprensa católica, criando revistas e jornais que alcançaram tiragens enormes, e fundou na Polônia a “Cidade da Imaculada”, uma comunidade religiosa que se tornou centro de evangelização e caridade.
“Não me contento em vos amar, ó Imaculada; quero amar-vos como ninguém jamais vos amou.”
Seu zelo missionário levou-o até o Japão, onde estabeleceu outra “Cidade da Imaculada” nos arredores de Nagasaki, sustentando-se na pobreza e na confiança absoluta na Providência. Mesmo doente dos pulmões, não poupava esforços, pois ardia nele o desejo de que todos os corações se voltassem para Deus por meio de Maria.
Os últimos dias
Quando a guerra devastou a Polônia, o frade transformou a sua casa religiosa em refúgio para milhares de pessoas, entre elas muitos judeus perseguidos. Por isso, e por continuar publicando escritos que incomodavam o regime, foi preso pela Gestapo em 1941 e enviado ao campo de concentração de Auschwitz, onde recebeu o número 16670. Ali, em meio à fome e à brutalidade, permaneceu sacerdote: confortava os aflitos, ouvia confissões em segredo e repartia o pouco que tinha.
No verão daquele mesmo ano, após a fuga de um prisioneiro, os guardas escolheram dez homens para morrer de fome em represália. Um dos condenados, Francisco Gajowniczek, clamou em desespero pela mulher e pelos filhos. Então o frade deu um passo à frente e ofereceu-se para morrer em seu lugar, declarando-se sacerdote católico sem família. O oficial aceitou a troca, e Maximiliano foi lançado no bunker da fome com os demais condenados.
Nas semanas que se seguiram, transformou aquele porão de morte em lugar de oração e de cânticos a Deus e à Virgem. Foi o último a permanecer vivo, e, como ainda resistia, recebeu uma injeção letal no dia 14 de agosto de 1941, véspera da Assunção de Nossa Senhora. Entregou a vida estendendo o braço, sereno, oferecendo-se até o fim. Francisco Gajowniczek sobreviveu à guerra e esteve presente, décadas depois, na canonização daquele que morrera por ele. A Igreja venera São Maximiliano Maria Kolbe como mártir da caridade, testemunha de que não há maior amor do que dar a vida pelos irmãos.