Mártir
São Sebastião
c. 256, Narbona ou Milão — c. 288, Roma
- Festa litúrgica
- 20/01
- Padroeiro de
- soldados; atletas; contra epidemias; co-padroeiro do Brasil
Origens e vocação militar
Sebastião nasceu por volta do ano 256, provavelmente em Narbona, embora algumas tradições o vinculem a Milão, cidade onde teria sido educado. Filho de família cristã e de boa posição, cresceu num tempo em que professar a fé em Cristo significava arriscar a própria vida. Ainda jovem, ingressou no exército romano e, por sua coragem e retidão, chegou a oficial da guarda pretoriana, o corpo de elite que servia diretamente ao imperador Diocleciano.
Diz a tradição que ele não buscava honras ou glória militar, mas escolhera a carreira das armas para poder estar próximo dos irmãos perseguidos, confortando-os e animando-os a permanecer fiéis diante do martírio. Sob o uniforme do soldado de Roma, escondia-se um servo do Senhor, decidido a combater o bom combate da fé.
A descoberta e a primeira condenação
Por muito tempo Sebastião visitou cativos e moribundos nas prisões, fortalecendo a esperança dos que vacilavam. Atribui-se a ele a perseverança de muitos cristãos que, no momento extremo, não negaram a Cristo. Mas, denunciado ao imperador, viu-se descoberto em sua fé. Diocleciano, sentindo-se traído por um oficial em quem confiava, ordenou que fosse amarrado a um poste e atingido por flechas dos próprios arqueiros.
Crido morto, foi abandonado. Contudo, uma piedosa mulher chamada Irene, viúva do mártir Castulo, foi recolher-lhe o corpo para sepultá-lo e descobriu que ainda respirava. Acolhido em sua casa, foi tratado de suas feridas e, contra toda expectativa, recuperou-se.
Os últimos dias
Restabelecido, Sebastião não fugiu nem se escondeu. Apresentou-se diante de Diocleciano para censurá-lo abertamente pela crueldade com que tratava os cristãos. O imperador, espantado por vê-lo vivo, ordenou então que fosse açoitado até a morte. O corpo do mártir foi lançado num esgoto, mas, segundo a tradição, ele apareceu a uma piedosa mulher chamada Lucina, indicando o lugar onde deveria ser sepultado — junto às catacumbas que mais tarde levariam o seu nome, na Via Ápia.
“Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma.”
Estas palavras do Senhor, que o mártir fizera suas, sustentaram-no até o fim, oferecendo a vida como testemunho silencioso e firme.
Devoção e patrocínio
Desde os primeiros séculos, são Sebastião foi venerado como um dos grandes mártires de Roma. Sua intercessão tornou-se especialmente invocada contra as epidemias e pestes que assolavam as cidades, e muitas vezes a tradição lhe atribuiu o fim de grandes flagelos. As flechas, instrumento de seu primeiro suplício, tornaram-se o símbolo com que a arte cristã sempre o representou.
Padroeiro dos soldados e dos atletas, pela disciplina e pela fortaleza que demonstrou, é também co-padroeiro do Brasil, cuja cidade do Rio de Janeiro foi fundada e consagrada sob o seu nome. Até hoje, multidões acorrem em sua festa, no dia vinte de janeiro, para pedir sua proteção e renovar a confiança naquele que, ferido e perseguido, jamais renegou o Senhor que tanto amava.