Mártir
São Tomás More
1478, Londres — 1535, Londres
- Festa litúrgica
- 22/06
- Padroeiro de
- estadistas; advogados; políticos
Juventude e formação
Tomás more nasceu em londres, no ano de 1478, filho de um respeitado juiz. Desde cedo revelou uma inteligência viva e um caráter sólido, qualidades que o levaram a estudar em oxford e, mais tarde, a dedicar-se ao direito. Ainda jovem, hospedou-se por algum tempo entre os monges cartuxos, atraído pela vida de oração e penitência. Embora tenha discernido que sua vocação não estava no claustro, levou consigo para o mundo o espírito de disciplina interior: jejuava, rezava e usava um cilício sob as vestes elegantes de cortesão. Casou-se, teve filhos e fez de sua casa em chelsea um lar de fé, estudo e alegria, onde educava as filhas com o mesmo zelo que reservava aos filhos — coisa rara em sua época.
O humanista e amigo da verdade
Homem de vasta cultura, more tornou-se uma das maiores figuras do humanismo cristão. Cultivou amizade com erasmo de roterdã e escreveu sua célebre obra Utopia, na qual, sob a forma de uma ilha imaginária, refletia sobre a justiça, o poder e os males da ambição humana. Sua casa era frequentada por sábios e estudiosos, e sua mesa unia o riso ao saber. A santidade de more não o afastava do mundo: era um homem cordial, espirituoso, capaz de unir a seriedade do magistrado à serenidade de quem coloca a consciência acima de tudo.
Chanceler de Henrique VIII
Sua reputação de integridade e competência conduziu-o aos mais altos cargos do reino. Em 1529 foi nomeado lord chanceler da inglaterra, o primeiro leigo a ocupar tal posto. Serviu ao rei henrique VIII com fidelidade e justiça, mas chegou a hora em que a fidelidade ao monarca e a fidelidade a Deus se separaram. Quando o rei pretendeu romper com a Igreja de roma e declarar-se cabeça suprema da Igreja na inglaterra, para validar seu divórcio, more não pôde aprovar. Renunciou ao cargo, retirando-se para a vida discreta de sua família, na esperança de que o silêncio bastasse para preservá-lo.
A prova da consciência
O silêncio, porém, não foi aceito. Exigiu-se dele o juramento de supremacia, pelo qual deveria reconhecer o rei como chefe da Igreja. More recusou, não por rebeldia, mas por fidelidade à verdade que professava. Preso na torre de londres, suportou meses de cárcere, privações e tentativas de persuasão. Sua mulher e sua filha predileta, margaret, vieram suplicar-lhe que cedesse para salvar a vida, mas ele permaneceu firme, sustentado pela oração e pela certeza de que a alma vale mais do que o mundo inteiro.
Os últimos dias
Em julho de 1535, foi condenado à morte por traição. Subiu ao cadafalso com a mesma serenidade e o mesmo humor que marcaram sua vida, pedindo ajuda ao carrasco e afirmando que morria como bom servo do rei, mas primeiro de Deus.
“Morro como o bom servo do rei, mas primeiro de Deus.”
Sua cabeça caiu sob o machado, mas seu testemunho permaneceu como farol para todos os que enfrentam o conflito entre o poder dos homens e a fidelidade à consciência. Canonizado em 1935, são tomás more é hoje venerado como padroeiro dos estadistas, advogados e políticos, lembrança viva de que nenhuma honra terrena pode comprar a liberdade de uma alma fiel a Deus.