Diácono, Fundador
São Francisco de Assis
c. 1181, Assis — 1226, Assis
- Festa litúrgica
- 04/10
- Padroeiro de
- ecologia; animais; Itália; comerciantes
Juventude em Assis
Nascido por volta de 1181 na cidade de Assis, na Úmbria, francisco era filho de Pietro di Bernardone, um próspero comerciante de tecidos, e de dona Pica. Batizado como Giovanni, recebeu do pai o apelido de Francesco, “o francês”, em razão dos negócios e da afeição paterna pela cultura da França. Cresceu em meio à abundância, vestindo as melhores roupas e gozando dos prazeres da juventude. Sonhava com a glória das armas e a fama dos cavaleiros, e por isso se alistou nas contendas entre Assis e a vizinha Perúgia, vindo a conhecer o cativeiro e a doença, que começaram a despertar nele uma inquietação mais profunda.
A conversão e a Senhora Pobreza
Aos poucos, o jovem rico foi tocado pela graça. Diante do crucifixo da pequena igreja de São Damião, escutou no coração o chamado: “Francisco, vai e repara a minha casa, que, como vês, está em ruínas.” Tomando as palavras ao pé da letra, pôs-se a restaurar capelas com as próprias mãos. Mais tarde compreenderia que o Senhor lhe pedia a renovação de toda a sua Igreja. Em gesto célebre, despojou-se das vestes diante do bispo e do próprio pai, devolvendo-lhe tudo o que possuía, e declarando que dali em diante teria apenas um Pai, o que está nos céus. Assim desposou aquela a quem chamava de Senhora Pobreza, abraçando os leprosos, mendigando o pão e vivendo no mais completo despojamento por amor a Cristo.
Os Frades Menores
Em torno de francisco logo se reuniram companheiros atraídos pelo mesmo ideal evangélico. Adotando como regra a simples obediência ao Evangelho, fundou a ordem dos Frades Menores, aprovada pelo papa Inocêncio III. Pregava a penitência e a paz com tamanha alegria que multidões o seguiam, e o seu exemplo levou também santa Clara a deixar tudo e iniciar a vida das damas pobres. Por humildade, jamais quis ser ordenado sacerdote, permanecendo diácono, servidor da Palavra e do altar. Pregou aos pobres e aos poderosos, e chegou mesmo a atravessar o mar para anunciar o Evangelho ao sultão do Egito, no tempo das cruzadas, buscando a conversão antes que a espada.
Os estigmas e o Cântico das Criaturas
No monte de La Verna, recolhido em jejum e oração, francisco contemplou um serafim crucificado e recebeu em seu próprio corpo as cinco chagas de Cristo, os estigmas. Tornou-se, na carne, imagem viva do Senhor crucificado a quem tanto amara. Sua espiritualidade enxergava em toda a criação a marca do Criador, e a tudo chamava de irmão e irmã: o sol, a água, o fogo e até a morte. Já enfermo e quase cego, compôs o Cântico das Criaturas, hino de louvor a Deus por meio de todas as suas obras.
Louvado sejas, meu Senhor, por todas as Tuas criaturas, especialmente o senhor irmão sol.
Os últimos dias
Consumido pelas penitências e pelas enfermidades, francisco regressou a Assis, à pequena Porciúncula que tanto amava. Pediu que o deitassem despido sobre a terra nua, fiel até o fim à pobreza que abraçara. Acolheu a morte como irmã, certo de encontrar nela a porta para a vida eterna. Faleceu na noite de 3 de outubro de 1226, entoando salmos. Foi canonizado dois anos depois pelo papa Gregório IX, e desde então é venerado como um dos santos mais amados da cristandade, padroeiro da ecologia, dos animais e da Itália, perene testemunha de que a verdadeira riqueza está em possuir somente a Deus.