Bispo, Doutor da Igreja
São João Crisóstomo
c. 349, Antioquia — 407, Comana (Ponto)
- Festa litúrgica
- 13/09
- Padroeiro de
- pregadores; oradores
Juventude em Antioquia
João nasceu por volta do ano 349 na cidade de Antioquia, então um dos grandes centros do mundo cristão. Ficou órfão de pai ainda muito cedo, e foi sua mãe, Antusa, viúva aos vinte anos, quem o educou na fé e nas letras. Recebeu uma sólida formação na retórica clássica sob o famoso orador pagão Libânio, que reconheceu no jovem um talento extraordinário. Mas João voltaria todo esse dom da palavra para o serviço do Evangelho, e não para a glória mundana.
Vocação e ascese
Tocado pela graça, retirou-se por alguns anos para a vida monástica nas montanhas próximas de Antioquia, onde se entregou à oração, ao jejum e ao estudo das Escrituras. As austeridades severas daquele tempo abalaram-lhe a saúde, e ele regressou à cidade. Ordenado diácono e depois sacerdote, dedicou-se à pregação com tal fervor e clareza que o povo o aclamava. Foi nesse período que mereceu o sobrenome de “Crisóstomo”, isto é, “boca de ouro”, pela beleza e força de suas homilias, sempre voltadas a conduzir os fiéis à conversão e à misericórdia para com os pobres.
Patriarca de Constantinopla
Contra sua vontade, foi conduzido a Constantinopla e sagrado bispo daquela sede em 398, tornando-se patriarca da capital do Império. Como pastor, viveu com simplicidade, reformou o clero, socorreu os necessitados e não temeu denunciar o luxo desmedido e a corrupção da corte imperial. Sua palavra firme não poupava nem mesmo os poderosos, e isso lhe atraiu a hostilidade da imperatriz Eudóxia e de inimigos eclesiásticos, que tramaram contra ele.
Ninguém pode prejudicar quem não se prejudica a si mesmo.
Exílio e os últimos dias
Vítima de intrigas, foi deposto e enviado ao exílio. Restituído por breve tempo à sua sede pela pressão do povo, voltou a ser condenado por sua coragem em proclamar a verdade. Conduzido a regiões cada vez mais remotas, suportou as fadigas da viagem com paciência e confiança no Senhor. Esgotado pelas privações, entregou sua alma a Deus em 407, no caminho para Comana, no Ponto. Suas últimas palavras teriam sido um hino de louvor: “Glória a Deus por todas as coisas.”
Legado
A Igreja venerou-o como um dos grandes Doutores e mestres da fé, e a tradição oriental conserva seu nome na Divina Liturgia que celebra cotidianamente. Seus comentários às Sagradas Escrituras, sobretudo às cartas de São Paulo, e suas homílias permanecem como tesouro de doutrina e de zelo pastoral. Pregador incansável, defensor dos pobres e mártir da verdade, são João Crisóstomo continua a ensinar que a palavra cristã, quando nasce da oração e do amor a Cristo, não recua diante dos poderosos deste mundo.